[SEMPRE MAIS]

1.2.2026
Armazém com roupas das vítimas no complexo do campo de Auschwitz, após a sua libertação. Polónia, após janeiro de 1945. Fonte: United States Holocaust Memorial Museum.
Armazém com roupas das vítimas no complexo do campo de Auschwitz, após a sua libertação. Polónia, após janeiro de 1945. Fonte: United States Holocaust Memorial Museum.

A 27 de janeiro de 1945, tropas soviéticas libertaram Auschwitz, o complexo concentracionário de trabalho forçado e de extermínio em massa nazi. Auschwitz, na Polónia ocupada, estava dividido em três subcampos e foi estabelecido em 1940, tornando-se o nódulo central do sistema concentracionário nazi e do extermínio das populações judaicas da Europa. Este processo intensificou-se a partir de 1941, ao mesmo tempo que se iniciava a Operação Barbarossa (a invasão da União Soviética), e depois da Conferência de Wannsee (onde foram definidos os termos logísticos da «solução final para a questão judaica»), em 1942. Este campo, em menos de cinco anos de funcionamento, recebeu cerca de 1 milhão e 300 mil pessoas deportadas. Os números das vítimas ecoam pelas décadas pela sua terrível dimensão: 1 milhão e 100 mil judeus, 75 mil polacos, 21 mil Roma e Sinti, 15 mil soviéticos e milhares de pessoas homossexuais, testemunhas de Jeová e outras pessoas pertencentes a outros grupos minoritários ou nacionalidades. No dia 27 de janeiro de 1945 – data que celebrou os seus 81 anos na passada segunda-feira – a brutalidade foi travada e cerca de 7 mil prisioneiros foram libertados. A libertação de Auschwitz permitiu igualmente que a escala industrial e inaudita da violência nacional-socialista chegasse aos olhos de todo o mundo. 

Logo a seguir à guerra, os julgamentos de Nuremberga vieram condenar os cabecilhas nazis por crimes contra a humanidade. Não obstante, devido ao agigantar das perspectivas de criação de dois blocos políticos antagonistas e da separação da Alemanha, muitos outros crimes ficaram por julgar e conhecer durante largos anos. Durante a década de 1960, o julgamento de Eichmann em Jerusalém (1961) e os Julgamentos de Auschwitz em Frankfurt (1963-65) estabeleceram as bases para que os detalhes mais chocantes sobre o extermínio dos judeus europeus chegassem a um público mais amplo. Em 1978, o programa de televisão americano Holocaust foi para o ar e teve um considerável impacto ao levar as informações sobre esse genocídio – e o próprio termo – para a cultura popular, particularmente nos EUA (Levy e Snzeider 2002, 96). Simultaneamente, com o falecimento da geração que sofreu diretamente durante o Holocausto, surgiu a necessidade imperativa de criar meios de comunicação que continuassem o legado dos seus testemunhos. O historiador Andreas Huyssen aponta igualmente a atenção dos media convencionais dada, na época, aos 50 anos dos eventos que cercaram a ascensão de Hitler ao poder e a perseguição aos judeus, o que ajudou a despertar o interesse pelo tema (Huyssen 2000, 22).  Nesse sentido, pode argumentar-se que o Holocausto, no período entre as décadas de 1960 e 1980, se estabeleceu como uma nova cultura para a memória internacional (Erll e Nunning 2014, 17). O historiador Enzo Traverso usa a pertinente expressão anamnèse para descrever a explosão da memória do Holocausto, particularmente após 1968, que ele acredita ter sido seguida por uma obsessão memorial (Traverso 2020, 44). Nesse sentido, poderíamos argumentar que as guerras do século XX, particularmente a Segunda Guerra Mundial, transformaram «o luto individual em luto público» (Olick, Seroussi e Levy 2011, 29). 

Concomitantemente, poder-se-ia igualmente argumentar que o boom da memória do Holocausto criou uma nova cultura internacional centralizada na vitimização (Olick, Seroussi e Levy 2011, 44), transformando, com o passar das décadas, as narrativas de luta antifascista em narrativas de trauma e sofrimento apolítico. As vítimas do Holocausto surgem com frequência na cultura popular como vítimas perfeitas, assassinadas às mãos de psicopatas monstruosos. Assim, escolhe-se ignorar largamente o papel dos militantes comunistas, socialistas e democratas no combate ao nazismo e as interseções das categorias étnicas perseguidas com o engajamento político direto. Ao mesmo tempo, os nazis – desde as suas chefias até aos médios e baixos funcionários e militantes envolvidos no Holocausto, na guerra de extermínio a leste e na eliminação de opositores políticos – são pintados como seres monstruosos, anómalos e fruto de uma espécie de alucinação coletiva. O nazismo e os perpetradores da sua violência parecem tornar-se num paradigma irrepetível, incomparável e absolutamente novo. Desta forma, evita-se simultaneamente procurar as raízes da violência nazi no passado colonial e reconhecer, nos dias de hoje, as continuidades da violência racista e fascista na ação política de outros estados, movimentos e líderes políticos. 

Enzo Traverso aprofundou este argumento, afirmando que o Holocausto se tornou um argumento apologético para as ações das democracias liberais ocidentais no presente, que dizem ser fundadas na rejeição do nazismo e, ainda assim, continuam a cometer e a permitir violências impensáveis em todo o mundo. A memória foi neutralizada e embalsamada para privá-la do seu potencial crítico (Traverso 2005, 80).  O autor, no seu livro Le passé: mode d’emploi (2005), argumenta que a memória do Holocausto se tornou uma obsessão memorial do Ocidente ou «uma religião civil» (2020, 91). O autor demonstra como a memória da Shoah foi despojada de suas características antifascistas e críticas e se tornou um veículo bastante neutro de um sentido apolítico de «direitos humanos», pronto para ser usado como justificativa moral para as intervenções militares do Ocidente no presente (2020, 128).

Nunca mais. Nie Wieder. Never Again. Slogans repetidos até nos ensurdecerem e enjoarem. Repetidos por bocas com vozes falsas, tornaram-se significantes vazios face à imoralidade do mundo ocidental. Em que paródia se torna a celebração da libertação de Auschwitz e o reiterar da centralidade da Shoah para a fundação de uma ordem internacional de justiça quando se permite que dezenas de milhares de pessoas sejam exterminadas na faixa de Gaza por um estado terrorista? Quando crianças que andam na escola primária são presas pelo ICE e colocadas em campos para serem deportadas? Quando, por todo o Ocidente, se naturalizou falar de migrantes como números e não como pessoas? Quando a desumanização do outro não branco atinge picos de naturalização e banalização sinistros no  discurso político mainstream? Quando os Estados Unidos, possuídos pela lei do mais forte e pelo darwinismo social, decidem invadir e atacar  territórios soberanos? Nunca mais? Sempre mais. Sempre mais crianças a serem exterminadas pela fome, com a conivência ocidental. Sempre mais cadáveres a acumular-se enquanto os nossos governos repetem, de forma tenebrosa, uma fábula de «direitos humanos».  Sempre mais pessoas a serem deportadas, a serem assassinadas pelas «forças de segurança» ou a verem o seu acesso aos bens mais fundamentais ser-lhes negado. Mas, ainda assim, a 27 de janeiro de 2025, o presidente francês, o rei de Inglaterra, o chanceler alemão e outros semelhantes juntaram-se em Auschwitz para dizer «nunca mais». Nunca mais, enquanto lavavam as suas mãos da responsabilidade histórica por permitirem um genocídio que ocorria no preciso momento. Sempre mais. 

Gostaria de dar um passo atrás e falar sobre o ver e o saber no contexto de um genocídio. Quando falamos sobre a libertação de Auschwitz,  sabemos o que é porque vimos todas aquelas imagens. A fotografia (ou o filme) – tirada pelos que libertaram os campos, pelos próprios nazis ou até, em casos excepcionais, pelos próprios presos – foi uma prova fundamental para condenar os perpetradores e para dar a conhecer ao mundo as dimensões do extermínio nazi. Na verdade, a importância do dar a ver ao mundo era tão central para quem vivia o extermínio que, em mais do que um caso, prisioneiros em campos de concentração e extermínio arriscaram a sua vida em complexas operações que tinham como objetivo fotografar e contrabandear para fora do campo os negativos das mesmas. 

Em 1944, membros do Sonderkommando de Auschwitz (um conjunto de judeus nos campos de extermínio que era obrigado a cumprir as tarefas mais difíceis ligadas com o extermínio através do gás: encaminhar pessoas para as câmaras de gás, recolher os seus pertences e cremar os seus corpos), com ajuda da resistência polaca, conseguiram fotografar, pela primeira e única vez, o processo em ação do extermínio em massa através de câmaras de gás. Ficaram, assim, quatro das imagens mais marcantes da história precisamente por nos obrigarem a ver, através de fotografias desfocadas e tiradas em situações marcadamente adversas, o processo de genocídio em escala industrial no seu ponto mais alto. 

Há cerca de dez anos, a minha mãe – com quem aprendi grande parte do que sei – mostrou-me estas fotografias, enquanto preparava uma aula que iria dar sobre o assunto. No PowerPoint que preparava, havia colocado as duas imagens que vos deixo abaixo. Uma, a fotografia completa ilegalmente tirada por membros do Sonderkommando que mostra corpos a arder  de vítimas do extermínio em massa em Auschwitz II-Birkenau. A segunda, apenas a imagem da cremação. Depois de me mostrar, a minha mãe explicou-me, recorrendo ao que havia teorizado Didi-Huberman, que havia uma diferença fundamental entre as duas imagens. A primeira, disse-me ela, era a mais marcante e reveladora, pois estava enquadrada pelo esconderijo onde foi clandestinamente tirada, e era mais do que uma representação do momento, mas uma prova do contexto de secretismo e da coragem de quem a  tirou. Nunca me esqueci dessa conversa e, frequentemente, penso nessa ideia. O mundo precisava de ver, a Shoah não poderia desaparecer na invisibilidade e silêncio dos tempos. Era preciso saber.

Hoje penso nestas fotografias e no esforço requerido para as tirar e fazer sair do campo e contrasto-as com o turbilhão de imagens igualmente terríveis que nos chegam, sem parar e todos os dias, por diferentes meios de comunicação, do genocídio em Gaza. Corpos esqueléticos a ser exterminados à fome, crianças assassinadas deitadas pelo chão, vídeos de pessoas refugiadas em tendas a arder, imagens de pessoas a morrer em hospitais destruídos. Nós vemos e sabemos. Os canais para dar a conhecer um genocídio hoje facilitam o ato de fazer o mundo ver o indizível. Não obstante, tendo em consideração a esmagadora apatia, ou mesmo complacência e apoio, dos governos e políticos de centro e direita da Europa em relação à factualidade brutal destas imagens, podemos perguntar-nos: de que nos serve ver? De que nos serve saber? Se sabemos e vemos que as atrocidades do passado se estão a repetir, afinal, de que tipo de memória precisamos para sermos impelidos à ação e à solidariedade?

Precisamos de memória. Nunca, ao longo deste artigo (ou de qualquer outro), quis dizer o contrário. Precisamos desesperadamente dela. Mas não de qualquer formato pré-feito e acrítico que nos é entregue. A memória de que precisamos para combater o ciclo ensurdecedor do «sempre mais» é crítica, ativa, solidária e engajada. Já falei aqui sobre as críticas pertinentes que Traverso deixou, ao longo da sua obra, ao atual paradigma memorial relativo ao Holocausto e que se transfere para a banalidade com que se encaram outros extermínios em massa contemporâneos (particularmente quando os corpos vitimados não são brancos, adiciono). Gostaria, então, com recurso a outros autores, de sugerir um diferente caminho para a forma como percecionamos a memória do sofrimento e como podemos contribuir para uma transmissão crescentemente democrática e solidária da mesma.

Jie-Hyun Lim e Eve Rosenhaft, dois autores do campo dos Estudos da Memória, propõem um termo que considero particularmente fértil para esta discussão: «solidariedade mnemónica», que nos convida a pensar na memória como um possível terreno comum para «articular as mágoas do passado de formas que sejam produtivas para o futuro» (2021, 2). Os autores explicam que o Sul Global assumiu a liderança nessas práticas memoriais (quer seja na luta pelo reconhecimento das vítimas da escravatura e do colonialismo, quer seja nos processos  de reconciliação nos países que encetaram processos de reconciliação depois de ditaduras militares)  e que o Holocausto está progressivamente a deixar de ser o modelo central para articular o sentimento de vítima e a tornar-se num objeto de releituras pós-coloniais. Simultaneamente, procuram uma abordagem «glocal» (2021, 12) para estudar as práticas memoriais e articular o neoliberalismo, o colonialismo e os movimentos sociais num grande debate sobre os formatos possíveis para lembrar a violência. Assim, os autores argumentam que estes processos globais estão a ter sucesso a abrir novos caminhos para a não hierarquização das histórias do sofrimento humano. Em suma, conseguindo desafiar o «universalismo liberal» (2021, 10). 

Numa nota ainda mais crítica, gostaria de trazer para a discussão o artigo Beyond Multidirectional Memory: Opening Pathways to Politics and Solidarity (2023), de Kekesi e Zombory. Os autores, apesar de reconhecerem a relevância de Rothberg na contestação do paradigma da competição memorial, procuraram repensar o nexo entre memória e política e defender um paradigma de memória «esquerdista-antifascista» que os outros autores teriam identificado erroneamente como sendo a memória multidirecional do Holocausto. Kekesi e Zombory argumentam que as memórias por si só não nos obrigam a adotar qualquer ponto de vista político ou crença democrática em particular; pelo contrário, é o compromisso político que o faz (2023, 3). Além disso, sublinham que o Holocausto e o colonialismo não têm de ser duas histórias distintas de sofrimento, pois podem ser e têm sido conectados pela solidariedade política de esquerda, antifascista e anticapitalista (2023, 6). 

Deste modo, diversos autores e ativistas trazem para cima da mesa a reivindicação por uma memória antifascista, politicamente engajada e solidária para com todos os sofrimentos do passado e do presente. Não há nada de neutro na memória coletiva. Esta surge-nos como um campo de batalha de memórias de diferentes grupos sociais com maior e menor força, sancionadas por estados ou caídas no silenciamento, transmitidas entre grupos sociais sem voz ou transformadas em celebrações oficiais. Esse campo de batalha é igualmente um espaço de disputa do presente, onde se combate por formatos memoriais que articulem os sofrimentos do passado em continuidade com os sofrimentos do presente e os reconheça, sem exigir uma hierarquização. É precisamente nesse campo de batalha que a esquerda tem o duplo desafio de jamais deixar esquecer o Holocausto e a violência nazi e fascista e combater as suas apropriações por estados ou governantes que o usam como escudo para justificar as suas ações violentas. Este é o desafio de uma abordagem crítica à memória e à sua transmissão. Nunca esquecer, nunca embalsamar, nunca deixar que se repita. A memória coletiva e a preservação da sua pluralidade e diálogo constante surge, assim, como fundamental na criação de sujeitos políticos ativos e capazes de transformar o mundo. A educação para a memória pode introduzir questões fundamentais: quem somos? como aqui chegámos? Onde e como se errou no passado? Onde estamos nós na História? Quem pode contar a História? Quem foram as vítimas que não podemos esquecer das violências do passado? Como podemos agir para que estas violências jamais recaiam sobre algum povo?

Termino esta reflexão recorrendo a um texto de 1917 do pensador António Gramsci:

Odeio os indiferentes. (...) acredito que «viver significa tomar partido». Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão e tomar partido. Indiferença é abulia, parasitismo, cobardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes. (...) A indiferença é o peso morto da história. É a bola de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam frequentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas.

Odeio a indiferença. Odeio-a e, em momentos de raiva, não a consigo sequer compreender. Como pode alguém conhecer as imagens de Auschwitz e ficar-lhes indiferente? Como pode alguém que fica marcado por estas imagens conseguir ignorar as imagens semelhantes que nos chegam hoje de tantos sítios do mundo? Como pode alguém que fica marcado por estas imagens concordar que imigrantes sul-asiáticos são menos pessoas do que portugueses brancos?

A memória que temos não funciona: patologiza o fascismo alemão e não o analisa estruturalmente, congela o Holocausto no tempo e na excecionalidade incontestável e não contempla as suas raízes coloniais e as suas continuidades em diversos formatos por todo o mundo. Esta memória permite que as imagens não sirvam mais para travar o voto na extrema direita fascizante. Esta memória apela à indiferença, à aceitação acrítica de democracia liberal e do imperialismo ocidental, ao conformismo político. Esta memória permite o sempre mais, sempre mais, sempre mais. 

Como esquerda, urge não esquecer – e combater para que ninguém o faça – que o nazismo e o fascismo são uma ideologia de morte, ódio e guerra. Não esquecer que sempre houve quem lhe resistisse: comunistas, socialistas, democratas. Não esquecer que o racismo, a xenofobia e o antissemitismo continuam a vitimar milhares por todo o mundo. Cabe-nos articular uma temporalidade capaz de articular a violência colonial, a Shoah e o genocídio em Gaza numa narrativa produtiva, antifascista, antirracista e que nos relembre do dever histórico de agir. Ver, saber, lembrar. E, por isso, organizar, agir, transformar. «Nunca mais» não é um slogan embalsamado. Dizemos nunca mais face ao genocídio na Palestina, nunca mais face à ascensão do fascismo pela Europa, nunca mais face ao assassinato indiscriminado de cidadãos e de migrantes nos EUA, nunca mais à culpabilização coletiva de um povo por crimes imaginados. Como diz a rede internacional de judeus antissionistas: Never Again for Anyone

Auschwitz-Birkenau State Museum. Historical Pictures and Documents: Extermination. Oświęcim, Polônia: Auschwitz-Birkenau State Museum, n.d. Acesso em 26 de janeiro de 2026. https://www.auschwitz.org/en/gallery/historical-pictures-and-documents/extermination%2C11.html
Carujo, Carlos. 2022. «Odeio os indiferentes, de Antonio Gramsci.» Esquerda.net, 13 de janeiro 2022. Acesso em 29 de janeiro de 2026. https://www.esquerda.net/artigo/odeio-os-indiferentes-de-antonio-gramsci/78869 
Didi-Huberman, Georges. 2003. Images malgré tout. Paris: Les Éditions de Minuit. PDF. https://imagesociale.fr/wp-content/uploads/Didi-Huberman_ImagesMalgreTout.pdf 
Erll, Astrid, e Ansgar Nünning, orgs. 2013. Media and Cultural Memory / Medien und kulturelle Erinnerung. Berlin: De Gruyter. Vol. 15.
Huyssen, Andreas. 2000. «Present Pasts: Media, Politics, Amnesia.» Public Culture 12 (1): 21–38.
Levy, Daniel, e Natan Sznaider. 2002. «Memory Unbound: The Holocaust and the Formation of Cosmopolitan Memory.» European Journal of Social Theory 5 (1): 87–106.
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Kékesi, Zoltán, e Máté Zombory. 2023. «Beyond Multidirectional Memory: Opening Pathways to Politics and Solidarity.» Memory Studies 16. 
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